Construindo e Fortalecendo Comunidades de Aprendizagem Profissional no Ensino Superior: Estudo de Caso Embrace

Published 22 março 2026

Photo by: Embrace Team

Este artigo analisa como o projeto EMBRACE constrói comunidades de aprendizagem profissional no ensino superior, promovendo colaboração, pedagogia digital e transformação institucional. Destaca conquistas, desafios e estratégias para fortalecer o desenvolvimento docente, a inovação e as parcerias sustentáveis entre academia e sociedade.

A construção e o fortalecimento de comunidades de aprendizagem no ensino superior são essenciais para fomentar a colaboração e a inovação, bem como para impulsionar a transformação institucional. Este artigo explora as experiências de construção de comunidades de aprendizagem profissional (CAPs) no âmbito do projeto EMBRACE, um projeto de capacitação financiado pelo programa Erasmus+ da União Europeia.

O projeto é coordenado pela Universidade de Ciências Aplicadas de Häme (HAMK), na Finlândia, e tem como parceiros a Universidade Federal do ABC (UFABC), o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) e o Instituto Federal de São Paulo (IFSP), no Brasil; a Universidade Tecnológica de Pereira (UTP) e a Fundação Universitária da Área Andina (Areandina), na Colômbia; e o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), em Portugal.

O artigo demonstra como as atividades do projeto facilitam a colaboração sinérgica tanto dentro das instituições individuais quanto em todo o consórcio e suas comunidades. Destaca a criação de uma comunidade de aprendizagem internacional para apoiar a transformação das práticas de ensino, enfrentar os desafios da era digital e aumentar a colaboração entre a academia e o mundo do trabalho. Ao fomentar a colaboração e a cocriação, o projeto visa capacitar educadores e instituições para aprimorar as competências digitais dos professores, inovar abordagens pedagógicas e criar novos tipos de ecossistemas de aprendizagem que integrem as necessidades da indústria e da sociedade à educação, impulsionando, assim, mudanças significativas no ensino superior.

O artigo apresenta o projeto EMBRACE como uma Comunidade Profissional de Aprendizagem (CPA) com diversos tipos de atores e diferentes níveis de engajamento que levaram aos resultados alcançados no projeto, além de discutir os desafios e destacar recomendações para uma CPA bem-sucedida, derivadas das experiências do EMBRACE.

Contextualização das Comunidades Profissionais de Aprendizagem e o projeto EMBRACE

Projetos de cooperação transnacional entre instituições de ensino superior (IES), como o projeto EMBRACE (s.d.), criam plataformas para conectar tendências e discussões globais a considerações locais, aprimorar a transferência de conhecimento (Graham et al., 2006) e viabilizar a integração intercultural na educação (Jones et al., 2016; Knight, 2015). Desde o início, o projeto EMBRACE funcionou como uma comunidade de aprendizagem profissional (CAP) entre as IES participantes da América Latina e da Europa, com foco em abordagens centradas no aluno, digitalização e modernização da pedagogia do ensino superior, com conexões aprimoradas com o mundo do trabalho. O projeto enfatiza o desenvolvimento profissional dos professores por meio de um modelo de formação em cascata, no qual os docentes recebem não apenas conhecimento e habilidades pedagógicas, mas também mentoria para se tornarem desenvolvedores institucionais e tutores. Esses professores (aproximadamente 100) formam uma “força-tarefa central” para o desenvolvimento pedagógico dentro das IES. Além disso, o projeto envolve gestores de cada IES para apoiar o desenvolvimento e garantir a sustentabilidade das mudanças. Todos os atores do projeto estabeleceram a CAP para implementar a transformação pedagógica nas IES parceiras, por meio da troca de conhecimentos e experiências, cocriação de práticas, disseminação de resultados e promoção de discussões educacionais mais amplas por meio de suas plataformas e redes. As tarefas de desenvolvimento no EMBRACE ajudam a construir um entendimento pedagógico coletivo da CAP, contribuindo para uma transformação mais sistemática das estruturas, processos e práticas educacionais nas IES parceiras.

Alcançar mudanças sustentáveis ​​em instituições de ensino superior é uma tarefa complexa que exige superar a inércia institucional, as limitações de recursos e a necessidade de uma profunda transformação cultural em direção a uma aprendizagem centrada no aluno, digital e de qualidade. Pesquisas de Mompoint Gaillard (2022) e Park (2024) destacam que as IES frequentemente resistem à mudança devido a práticas arraigadas e incentivos insuficientes para a inovação. Essa resistência pode ser particularmente desafiadora na implementação de novas estratégias educacionais voltadas para o fomento da aprendizagem profunda, da pedagogia digital e do ensino de qualidade. A escassez de recursos financeiros e humanos complica ainda mais o avanço dessas práticas, ressaltando a necessidade de um planejamento estratégico que alinhe as iniciativas aos objetivos institucionais (Park, 2024).

Para incorporar a pedagogia digital e centrada no aluno em todas as disciplinas, as instituições precisam transformar suas culturas e abordar as barreiras estruturais. A mudança educacional sustentável exige o fomento da colaboração interdisciplinar e a criação de currículos que envolvam alunos e educadores em um processo de aprendizagem colaborativo, crítico e inovador (Park, 2024; Mulà et al., 2017). Nesse contexto, as Comunidades Profissionais de Aprendizagem (CPAs) são essenciais para promover a transformação educacional sustentável, fomentando a colaboração, a inovação e o desenvolvimento profissional contínuo dos educadores. Por meio das CPAs, os educadores podem trocar boas práticas e participar de diálogos reflexivos e trabalhos coletivos. Sejam presenciais ou online, as CPAs criam espaços onde os educadores compartilham estratégias que contribuem para a melhoria da qualidade do ensino e para a resiliência diante da resistência à mudança (Vičič Krabonja et al., 2024).

No cerne das CPAs está o conceito de aprendizagem colaborativa dentro de estruturas como “Parcerias entre Pesquisa e Prática” e “Bolsa de Estudos do Ensino e Pesquisa do Praticante”. Os professores trabalham em conjunto para se envolverem em investigações compartilhadas, refletindo sobre suas práticas para aprimorar as estratégias de ensino (Eylon et al., 2020). Além disso, as Comunidades Profissionais de Aprendizagem (CPAs) enfatizam o engajamento democrático, no qual os professores não apenas colaboram, mas também participam ativamente dos processos de tomada de decisão, respeitando diversas perspectivas e tendo um compromisso compartilhado com objetivos coletivos (Acheampong et al., 2022). Ademais, a prática reflexiva incentiva os professores a avaliarem criticamente seus métodos de ensino e os resultados dos alunos, fomentando uma cultura de melhoria e adaptação contínuas, na qual os educadores estão sempre buscando maneiras de aprimorar suas habilidades e as experiências de aprendizagem de seus alunos (Feldman, 2016). As CPAs também servem como plataformas para o aprendizado pedagógico orientado para a justiça social, o que ajuda os professores a desenvolverem estratégias de ensino inclusivas e responsivas, aproveitando o conhecimento cultural e experiencial diversificado dos alunos para enriquecer o currículo e promover a equidade no ambiente de aprendizagem (Feldman, 2016).

Apesar dessas sólidas bases teóricas, a implementação eficaz das CPAs pode apresentar desafios. Fatores como restrições institucionais, níveis variáveis ​​de engajamento docente e recursos limitados podem dificultar o sucesso dessas iniciativas. Para superar esses desafios, o apoio contínuo e a flexibilidade são essenciais. Ao abordar essas questões, as Comunidades de Aprendizagem Profissional (PLCs) podem realmente cumprir seu potencial como espaços educacionais transformadores.

Entendendo como o EMBRACE está construindo uma Comunidade de Aprendizagem Profissional

Esta pesquisa explora como o projeto EMBRACE está formando uma Comunidade Profissional de Aprendizagem (CPA) com foco em três aspectos: 1) avaliação inicial das competências e áreas de desenvolvimento das IES parceiras; 2) atividades realizadas e resultados alcançados até o momento; e 3) compreensão das estratégias e oportunidades de interação, tanto dentro das instituições, quanto entre elas e suas comunidades, bem como a construção da comunidade em vários níveis – individual, institucional e interinstitucional. Para investigar esses aspectos, dois relatórios do projeto servem como fonte primária de dados: o primeiro relatório de qualidade e o relatório intermediário aprovado pela União Europeia.

O relatório de qualidade foi elaborado após a análise dos dados dos atores do projeto: equipe e especialistas do projeto, bem como professores e gestores envolvidos de cada IES parceira (N=34). Os dados foram coletados por meio de um questionário online e analisados ​​pela equipe de avaliação de qualidade liderada pelos autores da UFABC deste artigo. Os resultados foram validados primeiro pelo gerente do projeto, depois pelos parceiros do projeto e, por fim, pelo avaliador externo. Na análise, foram empregados métodos de pesquisa qualitativos e quantitativos. A abordagem qualitativa inclui análise de conteúdo e Análise do Discurso Foucaultiana, com o objetivo de desvendar temas subjacentes e estruturas de poder no discurso das instituições. A análise quantitativa envolveu técnicas estatísticas para avaliar e quantificar o status e o desenvolvimento de competências nas instituições. Essa abordagem de métodos mistos proporciona uma compreensão abrangente do estado atual de cada instituição e oferece insights sobre como as instituições se engajam e se desenvolvem dentro da comunidade de aprendizagem profissional mais ampla.

O relatório intermediário, escrito pelo gerente do projeto EMBRACE (primeiro autor deste artigo), baseado nas conquistas gerais do projeto e nos relatórios de progresso semestrais dos parceiros, fornece uma visão geral do sucesso do projeto com descrições qualitativas das atividades, apoiadas por dados quantitativos, como, por exemplo, o número de participantes em diversas atividades do projeto. Ao resumir o progresso em andamento, o relatório intermediário fornece um contexto adicional para a compreensão das atividades realizadas até o momento e destaca as oportunidades de interação entre as instituições e suas comunidades, construídas pelo EMBRACE. Por meio de uma análise comparativa de ambos os relatórios, este estudo obtém insights sobre como o projeto facilitou o crescimento, a colaboração e a criação de sinergias em toda a comunidade de aprendizagem profissional. Além disso, a metodologia ajuda a identificar os desafios que a PLC enfrenta.

Níveis de maturidade diversos dos parceiros na Comunidade de Aprendizagem Profissional – Um desafio ou uma oportunidade?

A análise do primeiro relatório de qualidade revelou que o projeto EMBRACE, enquanto Comunidade Profissional de Aprendizagem (CPA), inclui instituições com situações muito distintas e níveis de maturidade variados em relação aos temas educacionais do projeto: abordagem centrada no aluno, digitalização e colaboração com o mundo do trabalho. Essa diversidade possibilita valiosas oportunidades de aprendizagem por meio do compartilhamento de boas práticas e da cocriação ou codesenvolvimento, que fomentam o entendimento comum, bem como o desenvolvimento de competências individuais e institucionais.

Além disso, para o relatório de qualidade, as instituições foram avaliadas em três áreas: iniciativas para o desenvolvimento de competências digitais e pedagógicas de professores; iniciativas focadas na formação de gestores com o objetivo de apoiar a transformação das Instituições de Ensino Superior (IES); e iniciativas para apoiar a colaboração entre a academia e o mundo do trabalho.

No que diz respeito ao desenvolvimento docente, as instituições apresentam uma gama de abordagens, desde programas de formação bem estruturados até iniciativas mais isoladas. A Areandina oferece formação semestral focada em competências pedagógicas e digitais. O IFES e a UTP possuem departamentos dedicados com ações variadas, enquanto a HAMK demonstra estratégias institucionais abrangentes para o desenvolvimento de professores e gestores. O comitê de desenvolvimento profissional do IFSP carece de alinhamento prático, com a formação frequentemente teórica. Embora a UFABC possua um departamento de desenvolvimento profissional, as iniciativas ainda são raras, o que destaca a necessidade de um compromisso institucional mais forte com a formação de professores. O IPB demonstra um envolvimento limitado no relatório, mas evidencia aptidão para fomentar parcerias que impactam as práticas pedagógicas. Iniciativas como treinamento em TIC, workshops e inclusão estratégica ressaltam a ênfase no avanço das competências pedagógicas e digitais em todas as instituições.

Trata-se mais de uma iniciativa individual do que de incentivo institucional. Embora as políticas educacionais brasileiras determinem que tais atividades devem fazer parte dos currículos, cabe ao professor desenvolvê-las. Não há efeito nas práticas pedagógicas – apenas em cursos de formação de professores, e mesmo assim, de forma um tanto tímida.
(Quality Report Data, 2024)

Em segundo lugar, todas as instituições reconhecem a importância do desenvolvimento dos gestores. No entanto, algumas carecem de iniciativas nesse sentido. A HAMK e a UTP destacam-se por possuírem diretrizes e estratégias específicas, mas a UFABC não dispõe de estratégias para o desenvolvimento tanto de docentes quanto de gestores. A IFES, a IFSP e a Areandina contam com estruturas de apoio, porém com diferentes níveis de eficácia. A falta de resposta da IPB evidencia a necessidade de abordagens mais integradas. A HAMK oferece amplo apoio a docentes e gestores, desde formação até ações estratégicas, fomentando uma cultura de cooperação e melhoria contínua, e demonstrando uma abordagem abrangente para o desenvolvimento de competências.

Temos um comitê interno para desenvolvimento profissional, mas suas ações não são muito eficazes. Os temas dos treinamentos frequentemente não têm relação com as demandas da vida real e tendem a ser mais teóricos do que práticos

(Quality Report Data, 2024)

Em relação ao terceiro aspecto, o relatório destaca uma variedade de estratégias empregadas pelas instituições para fomentar parcerias com a indústria e a sociedade. A UFABC enfatiza a empregabilidade dos graduados por meio da educação interdisciplinar, enquanto a UTP integra a sociedade aos cursos de saúde e formação de professores. O IPB promove cursos extracurriculares cocriativos e a Areandina concentra-se em pesquisas sobre questões contemporâneas. O IFES possui espaços dedicados a acordos institucionais e a HAMK integra a colaboração à sua missão educacional, envolvendo os alunos em projetos solicitados externamente. Apesar desses esforços, a falta de exemplos concretos de como essas parcerias influenciam as práticas pedagógicas exige uma integração mais profunda e uma avaliação mais detalhada de seu impacto.

O relatório de qualidade revela que a diversidade dos parceiros promove o crescimento mútuo, onde instituições mais avançadas podem apoiar outras no desenvolvimento por meio da inovação e da cocriação, adaptadas ao contexto específico de cada instituição. O relatório destaca que os parceiros consideram as ferramentas digitais essenciais para a colaboração, o engajamento acadêmico e a disseminação da pesquisa. No entanto, as abordagens institucionais à digitalização variam, com algumas instituições se destacando em inovação, enquanto outras enfrentam desafios. As principais áreas para aprimorar a experiência do usuário do EMBRACE incluem o fortalecimento de parcerias interinstitucionais, o aprimoramento da disseminação do conhecimento e a garantia da sustentabilidade dos resultados. Isso ressalta a necessidade de uma estratégia de comunicação robusta para fomentar uma colaboração mais profunda e maximizar o impacto.

Desde iniciativas institucionais individuais até o engajamento comunitário colaborativo.

O projeto EMBRACE está fomentando uma Comunidade Profissional de Aprendizagem (CPA) ao envolver educadores em um processo que começa no nível individual e se expande para a colaboração interinstitucional. Essa comunidade se fundamenta no incentivo a práticas reflexivas que impulsionam a melhoria contínua e a adaptação. Apesar de desafios como restrições institucionais, níveis variáveis ​​de engajamento docente e recursos limitados, a CPA promove oportunidades de desenvolvimento profissional e institucional, criando um ambiente de aprendizagem dinâmico e em constante evolução entre as instituições.

O relatório parcial confirmou que o projeto EMBRACE obteve progressos significativos em diversas atividades e, como CPA, possibilitou conquistas importantes em diferentes níveis: individual, institucional, interinstitucional e internacional. No nível individual, foi implementado um programa de desenvolvimento profissional para cinco Desenvolvedores Institucionais de cada IES parceira (totalizando 25 professores) para aprimorar competências pedagógicas e capacitá-los para a promoção de mudanças institucionais. Além disso, esses professores desenvolveram três MOOCs (Cursos Online Abertos e Massivos) com foco em tecnologias digitais, pedagogias ativas que promovem a autonomia do aluno e a aprendizagem inovadora, e maneiras de conectar a educação com o mundo do trabalho e as necessidades da sociedade.

Em nível institucional, os MOOCs foram implementados em caráter piloto em todas as instituições parceiras da América Latina e, por meio de um modelo de formação em cascata, as instituições envolveram aproximadamente 75 professores tutores para se tornarem mentores em pedagogia digital. Além disso, foram realizados workshops para gestores com o objetivo de conscientizar sobre a importância do apoio institucional, resultando em diretrizes institucionais para o desenvolvimento profissional de professores e a transformação das IES. Ademais, as IES parceiras começaram a construir cinco ecossistemas de aprendizagem para fortalecer a colaboração com o mundo do trabalho e a sociedade.

Em nível interinstitucional, o projeto EMBRACE está construindo uma rede de comunidades de aprendizagem dentro e entre instituições para garantir estratégias institucionais equitativas. A estratégia empregada para fomentar a reflexão, a interação e o compartilhamento de conhecimento envolveu uma combinação de encontros digitais e presenciais. Plataformas digitais como Google Meet, Zoom e Microsoft Teams foram utilizadas, complementadas por encontros presenciais em locais como Vitória (BR), Hämeenlinna (FI) e Pereira (CO), promovendo interação e reflexão nos níveis individual, institucional e interinstitucional. A troca de experiências entre educadores e administradores de diversas instituições impactou significativamente a formação pedagógica e digital, além de contribuir para a criação de novos ecossistemas de aprendizagem. Ademais, a colaboração e o compartilhamento de boas práticas são cruciais para ampliar o impacto e a sustentabilidade da mudança.

As reuniões com as equipes dos pacotes de trabalho (PT) são excelentes para dividir responsabilidades entre todos os participantes do projeto e fazer com que ele avance e alcance seus resultados. Essa estratégia também permite que as universidades parceiras contribuam para a gestão do projeto, engajando-se e comprometendo-se mais. Além disso, elas se sentem ouvidas e conseguem alinhar as tarefas às necessidades reais das instituições no momento. As reuniões dos PTs funcionam muito bem, assim como as reuniões de coordenação, garantindo que os coordenadores das universidades parceiras compreendam todo o processo.

(Quality Report Data, 2024)

Além disso, o EMBRACE constrói uma Comunidade Profissional de Aprendizagem (CPA) internacional através da criação de planos de disseminação eficazes, utilizando as ferramentas, os canais e as redes dos seus parceiros. Contribui para o debate global sobre a integração e transformação tecnológica no ensino superior, fornecendo ferramentas para o desenvolvimento profissional de docentes e estabelecendo parcerias entre profissionais. Até o momento, a CPA do projeto EMBRACE alcançou aproximadamente 1000 pessoas com suas atividades de divulgação nas IES parceiras e além delas.

Desafios e conquistas na construção da Comunidade Internacional de Aprendizagem Profissional.

O projeto EMBRACE revelou diversos desafios que afetam a mudança educacional sustentável nas IES (Instituições de Ensino Superior). Além das barreiras culturais, esses desafios incluem a resistência à mudança, impulsionada por práticas arraigadas e incentivos insuficientes para a inovação. A heterogeneidade no comprometimento institucional e na disponibilidade de recursos complica ainda mais os esforços para alcançar uma implementação consistente em todas as IES participantes. Isso enfatiza a necessidade de estruturas e políticas institucionais mais robustas que priorizem a inovação e ofereçam suporte adequado tanto para educadores quanto para gestores. A disparidade nos níveis de engajamento entre as instituições ressalta a importância de fomentar um senso de responsabilidade e pertencimento compartilhados entre todas as partes interessadas para garantir a sustentabilidade dos resultados do projeto.

Contudo, o conceito operacional do projeto, a comunidade de aprendizagem profissional (CAP), mostrou-se uma estrutura significativa para fomentar a colaboração e a prática reflexiva entre educadores. Ao criar espaços nos quais educadores e gestores trocam ideias, compartilham experiências e cocriam práticas inovadoras, o projeto lançou as bases para uma transformação pedagógica sustentável. O modelo de formação em cascata parece ser uma estratégia eficaz para garantir a escalabilidade e a disseminação de novas práticas pedagógicas entre as instituições. Além disso, o modelo de treinamento ilustra a capacidade do projeto de atender às diversas necessidades das instituições, promovendo objetivos de aprendizagem compartilhados.

As conquistas do projeto demonstram o potencial das Comunidades de Aprendizagem Profissional (PLCs) como catalisadoras da mudança educacional, como evidenciado pelo desenvolvimento e implementação piloto de MOOCs, bem como pelo estabelecimento de redes colaborativas e ecossistemas de aprendizagem. Esses esforços mostraram a crescente capacidade do projeto de integrar ferramentas digitais e pedagogias ativas às práticas institucionais, aprimorando as experiências de ensino e aprendizagem e alinhando a educação às necessidades da sociedade e do mercado de trabalho. Ademais, a ênfase no desenvolvimento gerencial reforçou a importância da liderança institucional na condução e sustentação de iniciativas transformadoras.

Recomendações para comunidades de aprendizagem profissional bem-sucedidas

As experiências do projeto EMBRACE demonstram que um forte compromisso institucional garante o engajamento e o desenvolvimento contínuos dentro da comunidade de aprendizagem profissional, assegurando resultados a longo prazo. Isso pode ser aprimorado fomentando a participação de todos os atores relevantes (alunos, professores, gestores, comunidades locais, parceiros da indústria e da sociedade). Além disso, o envolvimento de múltiplas partes interessadas garante que a inovação educacional esteja alinhada às necessidades tanto dos alunos quanto da sociedade. Ademais, modelos escaláveis ​​para envolver os participantes (por exemplo, formação de formadores) podem aumentar o engajamento e o impacto institucional.

Na prática, uma comunidade de aprendizagem profissional bem-sucedida requer uma estratégia de comunicação robusta, bem como ferramentas e plataformas, tanto físicas quanto virtuais, para discussão e compartilhamento. A existência de formas de colaboração mais flexíveis e mais facilitadas, além da responsabilidade compartilhada, pode melhorar a eficácia das comunidades de aprendizagem profissional, enquanto as atividades de cocriação e codesenvolvimento aumentam a inovação e formam uma mentalidade de agentes de mudança entre os participantes.

Contudo, um passo fundamental é expandir os esforços de pesquisa para coletar evidências do impacto a longo prazo das comunidades de aprendizagem profissional na qualidade do ensino, no sucesso dos alunos e na transformação institucional. A realização de estudos longitudinais e avaliações de impacto fornece informações valiosas sobre a eficácia das Comunidades de Aprendizagem Profissional (PLCs) no ensino superior.

Agradecimientos

Agradecemos à União Europeia e à Agência Executiva Europeia para a Educação e a Cultura (EACEA) pelo financiamento e apoio ao projeto EMBRACE (embrace.edu.co) no âmbito do programa Erasmus+ de Reforço de Capacidades no Ensino Superior. Os parceiros do projeto incluem: a Universidade de Ciências Aplicadas de Häme (HAMK), a Universidade Federal do ABC (UFABC), o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), o Instituto Federal de São Paulo, a Universidade Tecnológica de Pereira (UTP), a Fundação Universitária da Área Andina (AREANDINA) e o Instituto Politécnico de Bragança.

Autores

Marja Laurikainen works as a Senior Advisor, Global Education Development and Research at HAMK School of Professional Teacher Education / Global Education, Häme University of Applied Sciences.

Carolina C. Carvalho (PhD) works as an Adjunct Professor in the Management Engineering undergraduate program at the Federal University of ABC (UFABC), Brazil.

Essi Ryymin (PhD) works as a Principal Research Scientist at HAMK Edu Research Unit, Häme University of Applied Sciences.

Allan Moreira Xavier (PhD) works as a Professor in teacher education undergraduate and graduate programs at Federal University of ABC (UFABC), Brasil.

Referencias

Acheampong, F., Atta, G. P., & Atta-Asiamah, E. (2022). Professional Learning Communities and Democratic Ideals: The Influence of John Dewey. Open Journal of Educational Research, 2(6), 392–404. https://doi.org/10.31586/ojer.2022.518

EMBRACE. (n.d.). https://embrace.edu.co

Eylon, B.-S., Scherz, Z., & Bagno, E. (2020). Professional Learning Communities of Science Teachers: Theoretical and Practical Perspectives. In Y. Ben-David Kolikant, D. Martinovic, M. Milner-Bolotin (Eds.) STEM Teachers and Teaching in the Digital Era. Springer, Cham. https://doi.org/10.1007/978-3-030-29396-3_5

Feldman, J. (2016). Conceptualising the setting up of a professional learning community for teachers’ pedagogical learning. South African Journal of Higher Education28(5). https://doi.org/10.20853/28-5-405

Graham, I. D., Logan, J., Harrison, M. B., Straus, S. E., Tetroe, J., Caswell, W., & Robinson, N. (2006). Lost in knowledge translation: Time for a map? Journal of Continuing Education in the Health Professions26(1), 13–24. https://doi.org/10.1002/chp.47

Jones, E., Coelen, R., Beelen, J., & de Wit, H. (Eds.) (2016). Global and local internationalization. (Global perspectives on higher education). Sense Publishers.

Knight, J. (2015). International Universities: Misunderstandings and Emerging Models? Journal of Studies in International Education, 19(2), 107–121. https://doi.org/10.1177/1028315315572899

Mompoint-Gaillard, P. (2022). Responding to obstacles to educational change: Can online professional learning communities of educators help alleviate inertia? Netla – Veftímarit um uppeldi og menntun: Sérrit 2022 – Framtíð og tilgangur menntunarhttps://doi.org/10.24270/serritnetla.2022.85

Mulà, I., Tilbury, D., Ryan, A., Mader, M., Dlouhá, J., Mader, C., Benayas, J., Dlouhý, J., & Alba, D. (2017). Catalysing change in higher education for sustainable development: A review of professional development initiatives for university educators. International Journal of Sustainability in Higher Education, 18(4), 456-477. https://doi.org/10.1108/IJSHE-12-2016-0147

Park, Y. (2024). Sustainable education practices: Voices from higher education institutions [preprint]. https://doi.org/10.21203/rs.3.rs-3923563/v1

Vičič Krabonja, M., Kustec, S., Skrbinjek, V., Aberšek, B., & Flogie, A. (2024). Innovative professional learning communities and sustainable education practices through digital transformation. Sustainability, 16, 6250. https://doi.org/10.3390/su16146250

EMBRACE Team

Author

EMBRACE Team

email: embrace@areandina.edu.co

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *